CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Aprenda a fazer limpeza e manutenção de armas de fogo. Numa arma de fogo será sujeira tudo aquilo que, ao longo do tempo, poderá impedir o livre movimento de suas peças móveis, ou então que iniciar ou agravar algum processo de corrosão, que tenha potencial de afetar a eficácia, segurança ou mesmo a aparência da arma.

Para remoção dessa sujeira nos valemos de produtos que dissolvam ou ao menos rompam a aderência das sujidades à superfície das peças da arma.

Para o uso correto dessas substâncias, genericamente ditas solventes, devemos nos valer de ferramentas apropriadas, normalmente escovas, de vários formatos e materiais. Depois de concluída a limpeza de uma arma, a de lubrificação e a de proteção contra corrosão.

OS RESÍDUOS E OS SOLVENTES APROPRIADOS

As sujidades que encontramos numa arma de fogo podem ser dividas em dois grupos. O primeiro é o dos resíduos provenientes do disparo e o segundo, não menos importante, é aquele constituído pelo acúmulo, no mecanismo e interior do (s) cano (s), dos mais diversos tipos de detritos, provenientes da forma que se escolhe para portar, transportar ou armazenar uma arma de fogo.

RESÍDUOS PROVENIENTES DO DISPARO

1- Resíduos da queima da pólvora e da mistura iniciadora das espoletas

Para os efeitos deste trabalho, a quantidade de resíduos deixados pela denotação da espoleta é desprezível. Já a queima do propelente é a responsável pela maior quantidade de resíduos do disparo, seja a antiga pólvora negra, que é uma mera mistura de carvão, nitrato de potássio e enxofre, sejam as pólvoras químicas modernas que, numa simplificação extrema, nada mais são do que celulose embebida por ou mais tipos de compostos de nitrogênio.

Para remoção desses resíduos, que poderíamos considerar como mera fuligem proveniente da queima de material vegetal, temos as seguintes possibilidades:

a) Água e sabão

Por mais contraditório que isso parecer, água e sabão são plenamente eficazes, digo mais, se o propelente for a pólvora negra, que ainda é utilizada, ainda que raramente, em armas antigas ou suas replicas, água e sabão não é apenas uma forma de limpar, mas quase a única forma de limpar efetivamente uma arma que disparou pólvora negra.

Água e sabão também são efetivos na remoção de resíduos das modernas pólvoras químicas, mas estes também podem ser removidos com solventes que contenham alcoois ou compostos cetônicos.

Citamos água e sabão como alternativa, mais como ilustração e esclarecimento técnico. Seu uso, no entanto, apresenta o inconveniente da possibilidade de permitir que restem gotículas de água no mecanismo da arma, que podem ser responsáveis pelo início de um grave processo de corrosão.

Assim sendo, saiba que ainda que possível, numa emergência, o uso de água e sabão para limpar uma arma, há que se ter em mente que temos que seca-la criteriosamente depois da limpeza.

Nesses casos, duas providências básicas são necessárias. A primeira é que se desmonte totalmente a arma, par limpar e principalmente secar cada peça separadamente.

A segunda é, ao final da limpeza, enxaguar as partes da arma com água fervendo, para que a alta temperatura assim transferida ao metal, sirva para colaborar na rápida evaporação da água que por ventura reste no sistema.

b) Desengraxantes ou desengordurantes industriais

Na verdade são um capítulo especial do item anterior que denominamos apenas como água e sabão. Numa simplificação extrema tratam-se de super sabões, destinados ao uso industrial, notadamente naqueles ramos da indústria mecânica onde faz -se necessária a absoluta remoção dos óleos e gorduras antes de, por exemplo, se realizar um tratamento de proteção superficial como a galvanoplastia ou mesmo a oxidação.

Não são produtos adequados a uso doméstico individual. Embora seja processo muito eficiente, requer que a peça submetida a esses produtos seja posteriormente rigorosamente enxaguada em água, preferencialmente aquecida, depois do que seja levada à estufa para que seque completamente antes de ser lubrificada e reconduzida ao uso.

Assim sendo, para utilização correta desse tipo de produto é necessário que se tenha um tanque para imersão das peças no desengraxe, outro para enxague em água e, finalmente, uma estufa. Isso sem contar a necessidade de boa ventilação e cuidados adequados no manuseio, dada a toxidade do produto.

Assim sendo, fica fácil de concluir que é a alternativa que requer considerável espaço e investimento, sendo aplicável, portanto, apenas a oficinas de armeiro, arsenais, empresas de instrução de tiro, etc.

c) Álcool ou solventes cetônicos

Usados em separado ou associados. Esses compostos químicos normalmente estão presentes na formulação da maioria dos produtos comerciais destinados à limpeza de armas.

São eficazes na remoção dos resíduos da queima de pólvoras químicas e tem a vantagem de evaporarem rapidamente, além de praticamente não carregarem água na formula, ou seja, não provocam corrosão ao metal das armas.

d)Solventes leves de petróleo. Benzina, água rás, gasolina de aviação, etc. Todos eles, dos mais claros, finos, leves e limpos, para elencar os adjetivos que ligeiramente lhes conferimos, até mesmo o querosene, que já não é tão leve, servem perfeitamente para remoção de resíduos da queima da pólvora química e também não trazem na sua composição quantidade de umidade suficiente para iniciar um processo de corrosão do metal da arma. Também costumam estar presentes nas formulações da maioria dos produtos comerciais destinados à limpeza de armas de fogo.

2 – Resíduos dos projéteis em armas com canos de alma raiada

Os resíduos dos projéteis disparados, normalmente concentram-se na alma do cano, não tendo significado em outras partes da arma. Objetivando sua limpeza, esses resíduos podem ser divididos em dois grupos:

a) Resíduos dos projéteis feitos em chumbo puro ou em ligas de chumbo e antimônio e/ou estanho

Esses projéteis deixam dois tipos de resíduos. O principal é constituído de seu próprio metal ou liga, incrustado no raiamento. Ainda que solventes possam colaborar na remoção desse tipo de remoção, normalmente escovas de diversos tipos, que abordaremos adiante.

Existe a possibilidade, em casos de incrustação tão sérios que afetam a precisão da arma, que se adote a prática de tentar remover os resíduos como uso de mercúrio, na tentativa de conseguir uma amálgama que remova o chumbo. Trata se de uma prática pouco recomendável pelos riscos inerentes à manipulação do mercúrio.

Assim, caso se opte por isso, a operação consiste em, após fechar uma das extremidades do cano da arma com uma rolha de borracha, aplicar uma pequena quantidade de mercúrio, fechando então a outra extremidade do cano com outra rolha de borracha.

Após algum tempo agitando vigorosamente, removem -se os tampões, recolhe-se o mercúrio num recipiente seguro e passa-se a escovar a alma do cano com escova de cerdas de aço inoxidável até que consiga a total remoção do chumbo aderido.

Normalmente os resíduos de chumbo e suas ligas são removidos com facilidade, com solventes comuns e escovas de cerdas de cobre, bronze ou aço inoxidável.

O outro tipo de resíduo que ocorre quando o uso desse tipo de projétil é aquela proveniente da graxa normalmente presente em caneluras de seu corpo.

Essa graxa, destinada a reduzir o atrito entre o cano e o projétil, costuma ter como base um petrolato qualquer, que facilmente se dissolve e é removido com solventes comuns.

 

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